Criança morre carbonizada dentro de casa em Euclides da Cunha (BA)

09/09/2012 19:16

O dia 7 de setembro, - que muita gente sabe, apenas, que é um dia feriado nacional, enquanto outras que deveriam, até por ofício da profissão, fazer com que a data magna da Independência do Brasil seja motivo de orgulho para a nação tupiniquim, como acontece nas demais nações do mundo, que comemora com orgulho a data maior de sua independência, não será mais lembrada como um dia feriado pelos moradores do Bairro Duda Macário.

Como motivo, a tragédia que aconteceu nesta sexta-feira, 07, quando uma criança de apenas, um ano e cinco meses, morreu carbonizada vítima de um incêndio ocorrido em uma casa simples, ainda em construção, quando se encontrava sozinha, enquanto a mãe de nome Janeide da Conceição de Jesus, 34, conhecida como “galega” havia ido à casa de uma amiga para comercializar peças de lingerie.

O fato aconteceu por volta de 19h50, quando vizinhos perceberam as chamas que se alastravam rapidamente, enquanto a criança gritava, em agonia causada pelas chamas ardentes que a consumiam, alimentadas pela madeira da cama, colchão, cobertor, entre tantos objetos inflamáveis devorados pelo fogo.

Indefesa, Wilbert, supostamente arrastou-se pelo chão, até um canto da parede onde se encontrava a cama da mãe, onde, carbonizada, misturou-se com pedaços de madeira queimada e cacos de telhas que haviam desmoronado com o incêndio.

Jaime Ramos, um trabalhador e morador do bairro, que havia ido até a casa de um parente para assistir televisão, contou para a reportagem do site euclidesdacunha.com que percebeu a labareda e gritou para a vizinhança que se uniu e, portando baldes e outros utensílios domésticos, conseguiram debelar as chamas, através de uma janela, ainda fechada  com tijolos, mas que foi arrebentada, por onde jogavam água  sem, contudo, saber que naquele quarto existia uma criança.

Com o fogo praticamente debelado, conseguiu entrar na casa e retirar o botijão de gás, na tentativa de evitar uma explosão. Enquanto algumas amigas vizinhas localizavam e comunicavam o fato à dona da casa sinistrada.

Foi ai que todos tomaram conhecimento da existência de uma criança no interior da residência, fato comprovado depois de o fogo estar inteiramente apagado. O incêndio foi comunicado ao serviço 190 de rádio patrulha do 5º BPM, que enviou para o local uma guarnição, que ajudou no combate ao fogo.

A tragédia mobilizou o bairro e, na manhã deste sábado, 08, muitos curiosos acorreram ao local, enquanto uma equipe da polícia técnica formada pelo perito criminalístico Arivaldo das Mercês auxiliado por Aloísio e o agente policial Tourinho realizavam os trabalhos de perícia técnica para identificar a provável causa do incêndio e levantamento cadavérico sob o comando do Dr. Paulo Jason delegado de polícia titular.

O fogo destruiu totalmente o telhado, os móveis e eletrodomésticos, de uma casa ainda em construção. Ao ser convidada pelo delegado para adentrar a residência para prestar informações complementares ao perito criminalístico, Janeide não resistiu ao ver o corpo do filho caçula carbonizado e reduzido a cerca de 50 cm, teve uma crise de choro e deixou o local amparada pelo Dr. Paulo Jason.

Do lado de fora, Janeide foi consolada por parentes e algumas vizinhas comovidas com a tragédia. O corpo foi retirado do local, envolto em uma lona plástica preta, que foi transportado pelo perito auxiliar até uma viatura da PC, e seguiu para o IML, onde foi submetido à necropsia e posteriormente liberado para o sepultamento.

O drama vivido pela mãe da criança dividiu opinião, já que a genitora há mais de um ano vem sendo acompanhada pelo Conselho Tutelar de Euclides da Cunha, que a acusa de negligenciar nos cuidados de mais dois filhos menores, com idade respectivamente de 09 e 11 anos de idade, além de uma filha menor de 14 anos, que fugiu de casa e foi localizada na cidade de Conceição do Coité, região sisaleira do estado da Bahia, há cerca de 200 km de Euclides da Cunha, por agentes do Conselho Tutelar de Euclides da Cunha.

Segundo o profº. Emanuel, um dos agentes do Conselho Tutelar que acompanha o caso desta família, a garota se recusou a voltar para casa, sob alegação de não suportar mais tanto sofrimento.

“Como estava empregada, e, conhecedor da qualidade de vida da família da adolescente, os agentes do Conselho Tutelar preferiram deixar a garota em Conceição do Coité”, disse o professor, ao repórter José Dilson Pinheiro do site euclidesdacunha.com e acrescentou estar o Ministério Público a par de toda a situação envolvendo esta família.

Há poucos dias, o garoto de 11 anos de idade assaltou uma floricultura onde também funciona uma agência correspondente de uma instituição financeira na Rua Major Antonino.

A ação delituosa surpreendeu a todos que estavam no local, principalmente a maneira sorrateira como adentrou, apesar de estar o estabelecimento equipado com câmera de vídeo para segurança.

Da própria genitora, este repórter ouviu o relato que confirmou ser o menino matriculado na ACACEC – Associação da Criança e do Adolescente de Euclides da Cunha, instituição que desenvolve excelente programa de amparo às crianças em situação de risco contra a sociedade, com atividades educacionais, lúdicas, esportivas, etc., em parceria com o Ministério Público e o Judiciário local.

Janeide também reconhece que o garoto costuma fingir de ir à escola, porém, prioriza locais onde funcionam máquinas de vídeo game, onde passa boa parte do tempo em que deveria estar na sala de aula.

“Sou batalhadora, tive oito filhos com companheiros diferentes; trabalhei como empregada doméstica e consegui juntar algum dinheiro que me proporcionou comparar um terreno e construir a minha casa, que nem terminei e vejo destruída pelo fogo; além de um filho de um ano e cinco meses, morto desta forma”.

E prosseguiu em seu relato: “Deixei de trabalhar em casa de família, pois não podia levar meu filho comigo; apesar de a patroa concordar em levar a criança para o local de trabalho; porém, não tinha força para carregá-la comigo até o trabalho, que era muito distante do meu bairro. Apesar de tudo, meus filhos nunca passaram fome e saíam de casa sempre de banho tomado e roupa limpa. Não sou aquilo que dizem contra mim”. Finalizou.

Alguns parentes por parte do atual companheiro compareceram ao local e se comprometeram a dar apoio, já que a vítima principal da tragédia era filho deste. Apesar, de contribuir com uma ajuda de apenas, R$ 90,00 e que também é pessoa doente e atualmente não estar trabalhando, informou Janeide.

A informação de que o incêndio foi originado por uma vela deixada acesa no quarto em que dormia Wilbert, é o mais forte indício da causa da tragédia. Versão confirmada pela genitora, já que a casa não dispunha de energia elétrica.

Independente do resultado da perícia técnica, Janeide deverá ser indiciada por homicídio culposo, segundo informou o delegado Paulo Jason Falcão.

O fato é que o 7 de setembro de 2012, jamais será esquecido pela família e pelos moradores do bairro Duda Macário, infelizmente, pela tragédia e não como um dia de festa cívica, a maior de todas as datas comemorativas do Brasil.

 

Fonte: Euclidesdacunha.com

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