Meninas estupradas pelos componentes da banda New Hit agora sofrem com ameaças pelas redes sociais e telefonemas

03/09/2012 07:20


A 12ª Coordenadoria de Polícia do Interior, em Itaberaba (BA), está investigando as ameaças de morte contra as duas adolescentes de 16 anos que acusam os integrantes da banda New Hit de estupro. As ameaças são feitas por telefonemas e redes sociais. O conteúdo é sempre o mesmo: que elas serão assassinadas por causa da denúncia. Em uma reportagem do site Jornal da Massa, foi presenciada uma dessas ameaças. Durante a conversa da repórter com uma das garotas, o bate-papo foi interrompido por um telefonema com mais uma ameaça. “Todo dia é isto, não tenho mais paz. Quero justiça, pois a nossa vida está acabada”, gritou a irmã de uma das adolescentes.

“Elas ficam o tempo todo trancadas. Quando saem, são acompanhadas por conselheiros tutelares ou pela polícia. Estamos numa verdadeira prisão”, desabafou a mãe de uma das jovens.

Morando em casas populares, em bairros periféricos de Itaberaba (a 275 km de Salvador), elas vivem atormentadas com pessoas cercando as casas e veículos parando durante as madrugadas.

“Eles, às vezes, gritam ou ficam acelerando bem forte. Não saio, pois não sabemos do que se trata”, diz a mãe.

As meninas cursam o 9º ano do Ensino Fundamental e são amigas desde a Educação Infantil.

 

Até a bebê sofre

As garotas são filhas de pais separados e vivem em imóveis simples com as mães e irmãos. A entrevista teve de ser interrompida, em outra ocasião, pois a sobrinha de uma das jovens, de apenas 1 ano e 3 meses, entrou em desespero por não poder sair de casa. “Ela é acostumada a brincar aí na frente e agora se vê presa aqui. Só Deus para nos dar forças e superarmos tudo isto”, disse a mãe da bebê. Desde que aconteceu o fato, as mães das garotas  vivem sob o efeito de calmantes e remédios para pressão.

 

Redes sociais

As adolescentes vítimas tiveram que cancelar as contas nas redes sociais por causa das ameaças e agressões verbais que sofriam pela internet. A reportagem viu as inúmeras declarações ameaçadoras enviadas pelo Facebook das garotas. Mas, com medo, as jovens preferiram não fornecer cópias das ameaças que foram impressas e entregues à polícia. Nas ameaças, os autores, alguns aparentando a mesma faixa etária das jovens, diziam que iriam dar uma surra de correntes nas adolescentes. Ao serem informadas que os músicos estavam no presídio, as famílias dizem confiar na Justiça. “A juíza é mãe e mulher e acredito que Deus tocará no coração dela e não deixará que a impunidade vença”, desabafou uma irmã.

 

‘Somos seres humanos’

Uma das jovens conta que sente vontade de ir embora da cidade, mas lembra que não tem condições financeiras para recomeçar em outro lugar. A mãe dela é corretora. A outra garota, cuja mãe é comerciária, faz um desabafo emocionado.

“Estão todos nos sacrificando como se a gente fosse culpada, mas esquecem que somos seres humanos”.

 

Fonte: Jornal da Massa

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