Segundo o blog MACURURÉ NA NOTÍCIA, Professores e Funcionários de Educação sofrem "ameaças" em MACURURÉ...

15/03/2012 18:35

Quem conhece essa frase?
...pague o povo, pra o povo pagar o povo, se você não pagar o povo, o povo não paga o povo!!!

• Durante esses dias de greve nacional que começou desde o dia 14 último, os servidores municipais da educação de MACURURÉ (BA) estão em greve, lutando por seus direitos. Na pauta estar o cumprimento da Lei do Piso para a educação  em R$ 1.451 que é o valor do piso nacional do magistério para 2012, um aumento de 22,22% em relação a 2011. O reajuste, concedido pelo Ministério da Educação (MEC), foi calculado com base no crescimento do valor mínimo por aluno do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) no mesmo período, conforme determina a lei que criou o piso. Para barrar um projeto de lei que ameaça reduzir esse valor, a categoria organizou essa grande paralisação nacional agora em março.
 

 
As consequências da nossa greve, se levarmos ao extremo


Quero me dirigir aqui especialmente aos colegas, amigos(as), cidadãos macururéenses e principalmente aos educadores (professores e professoras) em greve, mas também aos que ainda não aderiram, e que estão fazendo falta para que possamos apressar as nossas conquistas.

Quanto maior a adesão à greve, maiores as possibilidades de obtermos a vitória total sobre o governo estadual e a nossa governante municipal. Disso os professores que ainda estão em sala de aula precisam saber. Quanto mais insistirem em não aderir à paralisação, mais tempo deve durar este movimento, pois o impasse fica estabelecido, com o governo municipal contando com este apoio auxiliar dos professores que estão em sala de aula.

Por mais justas que sejam as razões individuais de cada colega, há momentos na nossa vida em que os interesses maiores de classe - que acabam também beneficiando a cada um particularmente - devem falar mais alto. Este é um desses momentos. O futuro da categoria, do piso, da carreira de vocês, nossa vida profissional, enfim, estão em jogo. Nada justifica, portanto, a omissão.

Toda a categoria, em consonância com a decisão tomada democraticamente , deve cruzar os braços e manter a greve por tempo por esses 3 dias ou por tempo indeterminado para exigir que o governo municipal de Macururé cumpra a lei, pague o piso, o tempo extraclasse e atenda as demais revindicações dos educadores.

Mas, se muita gente gosta de comentar sobre as consequências na vida pessoal de quem faz greve, com o possível corte de ponto, quero falar também sobre as consequências da greve para o governo tanto estadual como municipal, que não sairá imune caso sejamos coerentes e levemos essa greve até as últimas consequências.

Primeiramente, quem tem que garantir os dias letivos para os alunos não é o professor, mas o governo do estado, a gestora municipal. Caso não o faça estará cometendo crime grave, descumprindo um dos mais importantes mandamentos constitucionais. Por isso, essa ameaça de cortar o ponto dos professores deve ser analisada por nós - e principalmente pelo governo - com o devido cuidado e respeito à comunidade escolar.

Caso o governo estadual ou a Prefeita de Macururé corte o ponto dos grevistas sem antes negociar conosco, não temos nenhuma obrigação de repor as aulas que foram cortadas por ambos. Lembremos que estamos em uma greve legítima e legal, garantida pela Carta Maior. E ainda por cima lutando pelo cumprimento de uma lei federal, que o governo estadual e municipal de Macururé descumpre.

Logo, ao cortar o ponto dos grevistas, o governo e prefeitura deve arcar com as consequências deste ato. Vocês são inúmeros professores na ativa. Se ficarmos 30, 40 ou 90 dias em greve que seja, onde a prefeita vai arranjar tantos profissionais habilitados para cumprirem a reposição destes dias nos finais de semana e feriados? E com que qualidade de ensino isso ocorrerá, caso a prefeita lance mão de leigos para cumprir as tarefas que vocês cumprem com brilhantismo?

Nem os educadores, nem a comunidade, e muito menos os órgãos como o Ministério Público podem aceitar uma coisa dessas, aliás o Ministério Público abraça essa causa.

Portanto, professores, se baterem o pé, mantendo a greve fortalecida e crescente, comparecendo ao movimento, esse governo municipal que estar air ficará cada vez mais sem mecanismos para nos intimidar.

Além disso, essa gestora  precisa obrigatoriamente investir no mínimo 60% dos recursos do FUNDEB com os salários dos profissionais do magistério na ativa. Caso corte um ou dois dias de salários dos grevistas, como vai justificar se ao final do ano as contas não fecharem por não ter investido os recursos do FUNDEB corretamente? É outro pepino nas mãos dessa prefeita, e se há uma coisa que dá cassação de mandato por improbidade administrativa são esses recursos do FUNDEB. A Prefeita teria que depositar esse dinheiro na conta de vocês, mesmo todos estando em greve durantes esses dias todos.

Claro que o governo tem seus instrumentos de pressão. Um deles, talvez o principal, é o corte de ponto, que tem efeito imediato. Dado ao grau de miserabilidade da categoria, que não consegue sobreviver sem o salário do mês sequer para bancar o básico (arroz, feijão, óleo, pão e leite), é preciso pensar em mecanismos para socializar essa realidade com a população em geral.

Uma das alternativas seria montar barracas na Praça eu sugiro, na frente da Prefeitura, em frente à Camara de Vereadores e também nos colégios, tanto estadual como municipal. Nessas barracas, caso haja o corte dos salários, faríamos o pedido de doações à comunidade, afim de montarmos cestas básicas para os colegas mais necessitados, exibindo ao mesmo tempo os contra cheques , que é o verdadeiro salário de vocês, enquanto a prefeita não paga o piso. Grandes cartazes devem ser afixados ao lado dessas barracas, mostrando a realidade dos educadores, comparativamente com a realidade salarial dos desembargadores, dos deputados, do governador, das secretárias da Educação e outras parasitas que existem por air.Este ato autoritário e ditatorial e burocrático do governo pode se converter num ato político, a mostrar a natureza cínica de um governo que constrói cidades administrativas, viadutos, estádios de futebol, mas corta o ponto dos educadores em greve e se recusa a pagar o mísero piso salarial, que é lei federal descumprida em MACURURÉ.

Um outro instrumento da Prefeita é mandar (mandar, este é o termo) que seus diretores escolares - aqueles que se submetem a tal pressão - declarem a ilegalidade da  greve, contrariando o que diz a Lei Federal. Neste caso, vocês devem resistir. Acampar em praças e exigir dos senhores diretores de escola e da secretária de educação respeito à Lei e à sociedade Macururéense e brasileira. Finalmente, não podemos descartar a possibilidade de acamparmos também em frente às casas de pais de alunos, para que eles vejam o sofrimento de vocês.  O silêncio cúmplice desses diretores é uma das responsáveis pela trágica situação vivida na Educação, e também pela violência social.Para todas essas mobilizações seria muito importante convidar os estudantes e pais de alunos para resistirem juntos conosco. É uma luta comum, de salvação da carreira dos educadores e da própria Educação pública de qualidade para todos.

Por isso, professores de luta, caso o governo municipal continue com sua costumeira intransigência, devemos enfrentá-lo com coragem e ousadia, mas acima de tudo com união entre os colegas da Educação. Divididos seremos facilmente derrotados. Unidos, temos chances reais de arrancar os nossos direitos, na luta e na lei. Principalmente na luta, na greve, já que este governo municipal não conhece outra forma de diálogo que não seja esta, a da luta aberta e destemida travada pelos valentes educadores.


Um forte abraço a todos e força na luta!

 

 

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